Este III Seminário: povos indígenas e sustentabilidade, dando continuidade aos trabalhos desenvolvidos nos dois primeiros, realizados em 2005 e 2007, os quais trataram em 2005: Políticas de sustentabilidade nas terras indígenas de MS - 2007: saberes e práticas interculturais na Universidade constituir-se-á numa oportunidade para a discussão e socialização de posturas teóricas e metodológicas utilizadas em pesquisas sobre saberes locais, educação, saúde e gestão territorial. Pretende, também, ser um espaço privilegiado de interlocução entre os povos indígenas de um lado e os pesquisadores e educadores de diferentes níveis, por outro, sobre práticas educativas num contexto intercultural, enfatizando os saberes locais, educação indígena e autonomia.
O Estado de Mato Grosso do Sul possui uma das mais significativas populações indígenas do país, cerca de 60 mil pessoas, das etnias: Guarani - Ñandeva, Guarani -Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Guató, Atikum, Kamba e Ofaié, que vivem, em sua quase totalidade, em contexto marcado pela perda territorial e correspondente confinamento em terras indígenas reduzidas, com os recursos naturais profundamente comprometidos, que não oferecem mais condições para a sua sustentabilidade. Em decorrência, verifica-se uma intensa inserção no entorno regional, como assalariados e, na atualidade, muitos são assalariados dentro das próprias aldeias: professores, serviços gerais em escolas, postos da FUNAI, agentes de saúde, entre outros. Particularmente em decorrência da falta de terra e de recursos naturais que garantam a subsistência, significativa parcela da população indígena regional vive, hoje, em espaços urbanos.
Nesse contexto, essas populações vêm se empenhando, crescentemente, na construção de uma educação básica de qualidade, que responda às suas demandas e, mais recentemente, buscam acesso às Universidades, percebidas como novos espaços de relevância estratégica no processo de reconquista da autonomia. Insere-se, nesse viés, o Programa Rede de Saberes – permanência de indígenas no ensino superior, que vem sendo implementado pela UCDB, em parceria com a UEMS, UFGD e UFMS, e que conta com recursos da Fundação Ford e apoio do Laced/UFRJ.
A educação escolar indígena, um dos eixos deste III Seminário, é considerada como novo espaço, com as diversas formas de produção de conhecimentos sobre a própria cultura e as diferenças. Trata-se de um espaço púBlocoico requisitado pelos índios como garantia de sustentabilidade étnica e de reelaboração de conhecimento a partir de lógicas de compreensão de mundo, que sejam âncoras para a produção de alternativas de gestão territorial, outro importante eixo deste evento.
Entretanto, o conceito que perpassa este III Seminário é o de saberes locais, entendido aqui não em oposição a saberes globais, e sim como forma de complemento. Saberes locais podem ser considerados aqueles saberes que nascem a partir da relação direta dos grupos humanos com seu meio ambiente e a natureza, ou seja, o processo mesmo de produção de cultura, visando a solução dos proBlocoemas cotidianos. Saberes locais, enfim, estão relacionados, no contexto deste seminário, àqueles saberes praticados pelos povos indígenas e que são passados, quase sempre, através da oralidade de geração para geração, e dizem respeito aos conceitos éticos, religiosidades, produção de alimentos, cosmovisão, organização social e política, entre outros.